Literatura Paraense: JAQUES FLORES


Escritor paraense, autor de "Panela de Barro" e "Cuia Pitinga".
JAQUES FLORES

Luiz Teixeira Gomes, conhecido pelo pseudônimo de Jaques Flores, nasceu em Condeixa, no município de Soure, na ilha de Marajó, em 10 de julho de 1898. Ainda jovem, em Belém, teve seu primeiro contato com o mundo dos livros como tipógrafo e encadernador, o que lhe despertou a paixão pela leitura e pela poesia. Com o passar dos anos, esse gosto pela literatura em todas as suas formas somente se acentuou. Sua casa na rua Tamoios, próxima à praça Batista Campos, era tomada por estantes cheias de livros de autores das mais diversas nacionalidades. Jaques era uma pessoa simples, como pode ser intuído deste seu aforismo: “Sempre ouvi dizer — e dito por gente autorizada — que só escreve bem quem escreve com simplicidade.”


Publicou cinco livros: Berimbau e Gaita (poesia), Cuia Pitinga (poesia), Vespasiano Ramos em sua obra (ensaios), Panela de Barro (crônicas) e Severa Romana (decorrente de uma palestra na Academia Paraense de Letras). Foi colaborador de várias revistas e jornais, tendo participado juntamente com Bruno de Menezes, Abguar Bastos, De Campos Ribeiro, Eneida de Moraes e outros, do modernismo paraense com destaque à sua poesia, prosa e crônicas.

CRONOLOGIA


1898 – Nasce no dia 10 de Julho, em Soure, Ilha do Marajó, LuizTeixeira Gomes, filho de João Teixeira Gomes e Antônia da Conceição Gomes.


1922 – Participa da renovação provocada pelo movimento modernista, atuando intensamente na “Associação dos Novos”.

1925 – Publica seu primeiro livro, “Berimbau e Gaita: versos e verdades” (Poesia).

1936 – Publica o livro “Cuia Pitinga” (Poesia).

1942 – Publica o livro de ensaios “Vespasiano Ramos”.

1944 – Ingressa na Academia Paraense de Letras, ocupando a cadeira n° 40.


1947 – Publica o livro se crônicas.

1955 – Publica “Severa Romana”, decorrente de uma palestra na Academia Paraense de Letras.

1962 – Falece, em Belém, no dia 12 de dezembro.

1990 – A Editora Cejup reedita o livro “Panela de Barro”.

1993 – A Editora Cejup publica o livro “Obras escolhidas de Jaques Flores” com uma seleção de textos em prosa e poesia de Jaques Flores.

2020 – A Pará.grafo Editora publica a 3ª edição do livro de crônicas “Panela de Barro”.

DEPOIMENTOS


“Luis Teixeira Gomes, o Jaques Flores, foi um exímio cantador/contador das coisas de seu tempo; um jornalista engajado, sensível, atento; um trabalhador das letras, um ”leitor” das pessoas e do mundo que o circundava. A leitura de Panela de Barro proporciona um mergulho na sociedade paraense das primeiras décadas do século XX.” (Ana Selma Barbosa Cunha, no artigo “Narrativas na Panela de Barro. A Academia do Peixe Frito em Jaques Flores”)

“Poeta, cronista, ensaísta e jornalista, em todas as profissões foi um homem consciente de suas responsabilidades e um constante animador e entusiasta de tudo quanto se relacionasse com a cultura e a arte do Pará”. (Georgenor Franco, no texto “Luis Teixeira Gomes: se mudasse deixaria de ser Jaques Flores”)

“Jaques Flores publica mais um de seus livros regionais, Vai contando, como numa conversa, as coisas que se passam na Amazônia, as próprias coisas da Amazônia(...) Conta essas maneiras de viver, de trabalhar, de produzir, de manter o pitoresco numa sociedade entre civilizada e primitiva, conforme se avance do litoral para a cabeceira dos rios (...). É um autêntico maranduêra- aquele eu guardava as tradições de nossas tribos.” (Abguar Bastos, no texto de apresentação do livro Panela de Barro)


PANELA DE BARRO




Publicada a primeira edição em 1947 pela editora carioca Andersen Editores, é o quarto livro de Jaques Flores. Nele, Jaques apresentou aos leitores 34 crônicas que marcaram a literatura paraense. Seus textos, carregados de humor e ironia, traçam um retrato da sociedade paraense das primeiras décadas do século XX, seus costumes, cultura, culinária, geografia e política. Abguar Bastos, no prefácio da primeira edição, disse que Jaques escreveu sobre “essas maneiras de viver, de trabalhar, de produzir, de manter o pitoresco numa sociedade entre civilizada e primitiva”. "A literatura de Jaques não envelheceu, permanece vívida e atual. A cada crônica, conhecerás um tanto mais desse universo amazônico, paraense, que reside (e resiste) também em outras literaturas, com seus dramas e glórias, com a dinâmica de um povo que transita entre os polos econômico e cultural de uma sociedade dividida entre o imaginado 'progresso' dos centros urbanos e o 'primitivismo' das comunidades das florestas e ribanceiras." (Girotto Brito)


O livro está disponível nos formatos FÍSICO e E-BOOK.

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